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Em território alheio: o tornar-se estrangeiro na nova pesquisa de Sheila Ribeiro

Nova investigação artística de Sheila Ribeiro, Projeto CODEX cruza dança contemporânea, moda, cultura digital, show de música e muitas outras influências numa obra-plataforma interativa com usuários. Encontro de pesquisas, empresta a lógica digital de “plataforma e usuários”, destinada à colaboração entre artistas.

Construída através de uma “nuvem de tags” – tudo que o compõe em sua estética e elementos (corpo, digital, moda, colônia, tensões, dinâmicas de poder) – os trabalhos são manuseados por outros artistas, “os usuários”. Uma obra digital que se apresenta de maneira analógica, sem nenhum aparato, dispositivo, software, nem pixel evidente, mas introjetado nas maneiras de fazer, nos corpos e no seu jeito de ser.

Em fase de desenvolvimento, nesta etapa da plataforma, são três os “artistas-usuários”: Alejandro Ahmed, Alex Guerra e Wagner Schwartz. O primeiro trabalho do projeto a ser apresentado agora é CODEX/SANGUE DE BARATA, concebido por Schwartz, a partir dos elementos que compõem a pesquisa de Sheila.

‘Um diálogo entre duas pesquisas que não estão juntas, mas ao mesmo tempo’

CODEX/SANGUE DE BARATA convida o público para mergulhar nas imagens de desfiles de carnaval, de moda, de sala de espera de aeroporto, de corredor polonês. Uma peça de roupa original do estilista Alexandre Herchcovitch cria enigma no corpo de Sheila e o remix da música ‘Recarga’, criado pela cantora Marli, embala essa aventura.

“Primeiro chegou o convite para trabalharmos. Assim que começamos a experimentar, encontramos nossos pares: Alexandre Herchcovitch e Marli. Pra mim, a Sheila é a mistura de ‘Chanel No. 5’ com ‘Impulse’. E, nesse trabalho, ambos conjugam muito bem. Recebemos o remix de ‘Recarga’. Sabia que essa seria a música que embalaria a passarela de CODEX/Sangue de barata. A roupa, claro, é o enigma que veste a peça, e vice-versa. Outras pessoas se aproximaram desse ambiente (que não existia até então): Lucas jogou suas impressões sobre o rosto de Sheila e Tiago fotografou o instante em que o vento, vindo dos dois lados, comprimiam seu corpo. Parece que é um solo, mas tem muita gente por ali: algumas são transparentes. Não falo de fantasmas e, sim, das conexões que os artistas fazem nas criações ou no aeroporto”, explica Schwartz.

Cada trabalho solo é, ao mesmo tempo, dependente e autônomo, podendo ser apresentados juntos ou separadamente. Sozinhos, têm sua autossuficiência. Juntos apresentam tensões de interpretação, tradução, conflito e encontro de abordagens. CODEX é, portanto, modular. A cada configuração, o interlocutor  faz suas sinapses.

“Para mim, o Wagner criou uma potência que tem a ver com o sentimento do GOLPE que estamos vivendo no Brasil: SANGUE DE BARATA… Ter sangue frio, pra, ao invés de vomitar, continuar a propor mundos de poesia, beleza e libido. Para isso, temos o som da Marli, no remix que fez pra esse trabalho, ‘Recarga’. Convido todo mundo a ouvir e ver a Marli. Isso é também, CODEX | SANGUE DE BARATA. Nesse momento, viciei na musica “Cachaça”. i.e. “Deixei sua cachaça contar a história” e também na “Suave Peste Negra”, i.e. “Essa é a preparação para a contaminação”. Na sequência, temos também o trabalho de Alexandre Herchcovitch, que cria um enigma no palco… É homem ou mulher? É chique ou desleixado? É capa de chuva? ‘Ta’ chovendo? O terno é business? Ela é pin up? É desfile? É carnaval?”, conta Sheila com exclusividade para o Idança.

CODEX/Sangue de Barata estreia nesta sexta-feira, 27, no SESC Ipiranga, em São Paulo e fica em cartaz todo o fim de semana. O segundo trabalho, CODEX/Mundo Algodão, com Alejandro Ahmed, estreia ainda este ano, em agosto.

SERVIÇO:

CODEX/SANGUE DE BARATA, com Sheila Ribeiro e Wagner Schwartz

Estreia 27/05, sexta-feira, às 21h
28/05, sábado, às 21h
29/05, domingo, às 18h

Local:
SESC Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga – São Paulo – SP
Ingressos:
R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (meia-entrada); R$ 6,00 (credencial plena)

[Fotos: © Tiago Lima – Mica Tomou – Lucas Lander]